Implantes dentários – Esclarecimentos sobre o tratamento

O que são implantes osseointegrados?

São uma nova geração de implantes, introduzidos a partir da década de 60, mas que só agora atingem um grau de aceitabllidade universal. São normalmente parafusos de titânio colocados em áreas desdentadas e que apresentam capacidade de exercer as funções mastigatórias e funcionais de maneira semelhante aos dentes naturais. Normalmente é colocado em duas etapas: uma para a inserção do implante de titânio propriamente dito – cirurgia mais extensa – e outra, alguns meses após, para a colocação de dispositivos que suportarão as próteses. Estas podem ser confeccionadas em curto período após a esta segunda etapa.

São superiores às próteses convencionais?

Certamente são melhores que dentaduras e próteses removiveis (“pontes móveis”). Têm capacidade funcional semelhante às próteses fixas em casos de espaços desdentados relativamente pequenos, mas a opção por um ou outro tratamento deve ser cuidadosamente analisada pelo profissional e em acordo com a solicitação do paciente, pois as situações são muito diversas e impedem a discussao com regras fixas. Nos casos de desdentados totais ou de áreas posteriores a solução com implantes é normalmente melhor do ponto de vista funcional.

Qual a chance de um implante dar certo?

Estudos de longa duração demonstraram que certos tipos de implantes apresentam taxas de sucesso acima de 90% nos implantes colocados e taxas superiores a 97% de sucesso das próteses (porque a perda de um implante não significa necessariamente à perda da prótese, pois está apoiada em outros implantes). Este índice de sucesso porém, é. médio, e não vale igualmente para todas as regiões da boca. Os índices de falha em desdentados totais inferiores é proximo a 0% (zero porcento) e na região posterior da maxila, com osso pouco denso e após a colocação de implantes curtos (devido aos seios maxilares), a taxa pode chegar a 33%.

O que existe de mágico no tiânio?

Nada. É um material utilizado em ortopedia há muitas décadas. Simplesmente o titânio não sofre corrosão quando inserido no corpo humano e não apresenta fenômenos de rejeição imunológica, assim como outros metais da mesma família, como o niobio por exemplo. O sucesso da técnica é devido a um bom conjunto de fatores e estas características do titâianlo sem dúvida são positivas, mas por si não garantiriam o sucesso do procedimento. O sucesso depende, em suma, do planejamento da técnica cirúrgica (que evita o super aquecimento do osso), um período de cicatrização sem a colocação das próteses, e uma prótese adequada. Este protocolo para realização dos lmplantes possui minúcias que não podem ser desprezadas, e um profissional competente e bem treinado na técnica pode alcançar excelentes resultados.

Quais os riscos cirúrgicos?

Mínimos. A cirurgia é normalmente realizada com anestesia local e é muito menos traumática do que outros procedimentos cirúrgicos odontológicos, como a remoção de dentes inclusos. O pós-operatório é muito bom e maioria dos pacientes não relata qualquer incômodo maior. Existe, porém, um certo risco inerente à qualquer intervenção cirúrgica – como infecção pós-operatória, edema demasiado e alguns outros, mas em índices muito baixos e que não contra-indicam a técnica.

Existe garantia de sucesso?

A princípio a alta taxa de sucesso é uma boa garantia, mas sempre existe, nos processos biológicos uma certa dose de imponderabilidade. Não há a possibilidade de certeza de absoluto sucesso, mas devido às taxas anteriormente citadas, o desconforto da cirurgia é muito inferior ao benefício de possuir uma prótese fixa, e mesmo nos casos onde ocorre a falha, o procedimento poderá ser refeito

Porque ocorrem as falhas?

A maioria porque o caso não é exatamente indicado para implantes. Tentar a colocação de implantes em casos não favoráveis deve ser uma opção consciente do profissional e do paciente, após a avaliação de todas as alternativas. Algumas falhas porém, ocorrem em casos aparentemente muito favoráveis e e praticamente impossível saber a causa real.

O que acontece se o implante apresentar alguma mobilidade após a colocação da prótese?

Significa a perda do implante. Toda mobilidade e progressiva e indicativa de insucesso.

Quanto tempo dura um implante? Qual sua vida útil?

Pode-se afirmar que em 95% dos casos, se os implantes não forem perdidos nos dois primeiros anos de uso, durarão por grande parte da vida do paciente.

Esteticamente é bom?

Depende muito do sistema utilizado e das condições locais. A estética melhorou muito nos últimos anos. Lembre-se: por melhor que seja o implante e o profissional, o primeiro continua sendo uma prótese, ou seja, a substituição de dentes naturais por artificiais. Expectativa demasiada em relação a implantes e comum mas normalmente é sucedida de uma certa parcela de frustração. Em muitos casos a solução estética é apenas aceitável. O melhor raciocínio é funcional: o implante é muito superior a outros procedimentos de prótese e na ausência dos dentes é o que pode ser realizado de melhor.

O que devo exigir depois de colocado?

No mínimo um controle clínico radiográfico a cada ano. É também uma obrigação do paciente comparecer a estes controles.

Se o dentista disser que vai colocar três e na hora da cirurgia colocar dois ou quatro implantes?

Um planejamento adequado minimiza este problema o qual pode ser discutido antes mesmo da cirurgia, pois durante o procedimento cirúrgico a participação do paciente deve ser passiva e, convenhamos não é o melhor momento para a discussão de preço e formas de pagamento. Quando necessário, coloca-se os implantes adequados e adia-se toda a discussão por assim dizer “burocrática”.

Não é um exagero o dentista pedir tomografia computadorizada para análise do osso?

Não, especialmente no arco superior. Um estudo detalhado com o uso de tomografia computadorizada evita surpresas, especialmente aquelas da pergunta anterior.

Em relação à capacidade de mastigação, vai melhorar após a colocação de implantes?

Os implantes apresentam resultados funcionais muito superiores aos obtidos por dentaduras e prótese removíveis. Os pacientes que usam dentadura há muito tempo e colocam implante sentem a diferença muito significativa.

Se não existir osso suficiente, existem maneiras de aumentar a quantidade de osso disponível?

Sim, Na área da maxila podem ser feitas cirurgias para aumento de rebordo e/ou levantamento do seio maxilar retirando-se osso do mento (queixo), do ramo da mandíbula ou da crista ilíaca. Na mandíbula o desvio do nervo alveolar inferior também pode ser realizado, mas as sequelas pós-operatórias deste último diminui grandemente sua indicação.

Quanto tempo dura uma cirurgia?

Normalmente não passa de uma a duas horas. Em casos excepcionais este tempo pode ser dilatado.

Quanto tempo vou ficar sem usar prótese?

No caso do desdentado total, o período restringe-se a 3 a 4 dias após a primeira cirurgia. Na Segunda etapa, quando é feito o acesso aos implantes, o paciente não fica sem a prótese. No caso de próteses parciais, muitas vezes, o paciente não fica dia algum sem prótese.

Devo extrair um dente natural para colocar implante?

Não, o dente natural é melhor. Em certas situações em que dentes naturais estão muito comprometidos por doença periodontal, por exemplo, pode-se aventar esta hipótese. Um planejamento global, levantando-se todas as alternativas, inclusive custo, deve ser mandatório. Não há consenso acerca do grau no qual o comprometimento dos dentes torna a colocação de implantes mais vantajosa.

Pelo fato de ser um material estranho existem riscos de rejeição ou de contaminação com vírus por exemplo? Como um implante é esterilizado?

Não ocorre rejeição, pois o titânio é um material imunologicamente inerte. Quanto à contaminação, quando ocorre normalmente por via cirúrgica e não por falhas do processo de fabricação. Qualquer dos métodos normalmente utilizados para esterilização do implante – estufa ou autoclave – oferecem total segurança.

Posso comer de tudo após a colocação das próteses? E se fraturar algum dente da prótese, o implante está perdido?

Não, mas as restrições não são muito severas. Certos alimentos podem fraturar até mesmo dentes naturais. De qualquer forma, uma alimentação com um mínimo de cuidados é suficiente para a preservação dos dentes das próteses suportadas por implantes. Um dado positivo é que o reparo de dentes fraturados é relativamente fácil.

E se o implante falhar, qual o melhor procedimento?

Pode acontecer, especialmente em áreas de osso pouco denso e que permitam apenas implantes curtos. É sem dúvida um risco do processo. A melhor alternativa é tentar novamente, principalmente se houver osso suficiente, pois o osso após a remoção do implante tende a se tornar um pouco mais denso. O melhor é não ter pressa excessiva para resolver o problema, que é muito desagradável, mas inerente ao procedimento ainda que não ocorra frequentemente. Normalmente em áreas de maior risco de perda o paciente deve ser convenientemente avisado previamente à cirurgia.

FONTE: DR FABIO RICARDO BARROS